Apoiando o Conselho Internacional de Etnodoxologistas

Todo o Mundo Está Cantando

  
Glorificando a Deus Através da Música de Adoração na Lingua Materna das Etnias

Nesta página você encontra traduções do livro acima.  
Os capítulos serão acrescentados na medida que as traduções forem completadas.
  

  
Deus como Maestro
Capítulo 1
Deus abrirá um caminho (Africa)
por Carol Brinneman
Em um país restrito da África, três equipes nacionais enfrentaram uma viagem por estradas que mexiam com os ossos, para alcançar uma área remota e apresentar o filme JESUS.  Alguns dos crentes locais os acolheram, e os acompanharam de aldeia a aldeia.  Usando um equipamento portátil de projeção de filmes de 16 mm, cada equipe mostrou o filme todas as noites por um período de um mês – um total de noventa apresentações.

As equipes tinha a expectativa de encontrar crentes locais que pudessem treinar para continuar o discipulado de novos crentes e assim iniciar grupos de adoração.  Porém, repentinamente, uma guerra civil explodiu, forçando-os a sair extremamente desiludidos.
Seis anos se passaram sem nenhuma informação sobre as sementes espirituais que haviam plantado.  As frustrações continuaram, mas também as suas orações.  Então um dia, um homem que havia acompanhado as equipes para as apresentações do filme, visitou a capital e buscou um membro destas equipes nacionais.  Espantados de ver aquele homem outra vez, um membro da equipe o convidou a entrar.  O visitante começou a dizer: “Sabem, estive com vocês por todo aquele mês e a sua equipe mostrou o filme JESUS.  Eu o assisti todas as noites.  Na realidade, eu o memorizei.”

Colocando a sua mão no bolso, ele retirou dezoito pedaços de papel bem usados, cheios de palavras.  Eles continham a história da vida de Jesus – em forma de música.  Ele havia escrito um cântico com as letras do filme!  Estava tudo ali: o nascimento do Senhor, os Seus ensinamentos, Seus milagres, Sua morte e a Sua ressurreição.

Em uma sociedade oral, como aquela do compositor, o povo tem uma capacidade tremenda de memorizar, e o conhecimento passa de geração a geração através de histórias e de música.  O homem havia criado uma ferramenta  evangelística muito efetiva para a sua cultura.  Ele havia novamente visitado as áreas onde as equipes haviam mostrado o filme e começou a ensinar o seu cântico do filme JESUS às pessoas.

Ele disse, “Primeiramente ensinei o cântico a alguns do meu próprio povo – todas as dezoito páginas.  Eles aprenderam, e então eu ensinei ao outros;  foi passado de pessoa a pessoa e de coração a coração.”

Sofonías 3:17 diz, “O Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso para te salvar; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo.”  Deus realmente, através do Seu Espírito Santo, passou pelas barreiras linguísticas e culturais e da isolação daquela região remota, cantando o Seu amor e a Sua história aos corações sedentos.  O povo não podia retirar aquela melodia cativante das suas mentes.
Os longos anos de desilusão e frustração das equipes rapidamente explodiu em louvor.  As sementes plantadas durante o seu ministerio, assim como um cântico de um crente, cresceram e se tornaram 48 igrejas!

No Salmo 2, Deus se ri das nações que rejeitam a Sua soberania.  Ele tem que rir, até se debochar, das barreiras que ameaçam parar o avanço da Sua Palavra poderosa:  muros criados pelos homens, idiomas confusos, tabús culturais, isolação política, e locais geograficamente remotos.   A Sua maneira de quebrá-las nos espantam, e nossos corações podem só responder com cânticos de louvor:

“Deus fará um caminho onde não parece haver caminho . . .”


  
Capítulo 2
Uma Lição de Canto para os Nadeb (Brasil)
por [autores não divulgados]


[Um casal de missionários no Brasil] admite que eles não são bons para cantar.  “Podemos seguir a melodía se alguém dirigir, mas quase nunca nos sentimos capazes de ensinar outros a cantar.”  Quem podería mostrar aos Nadeb como louvar a Deus em sua própria língua e estilo musical? 

Os Nadeb do Brasil, que são por volta de 350 pessoas, vivem na selva tropical no noroeste do Amazonas.  Nos anos 50, os Nadeb atacavam as aldeias ribeirinhas do Brasil, roubando machetes e machados. Estes incidentes resultaram em epidemias de sarambo horrorosas que quase exterminaram a população, que se calcula que fosse em torno de 5000.

Em 1966, uma equipe [missionária] começou a trabalhar entre os Nadeb, mas problemas de saúde os obrigaram a sair.  [Uma outra missionária] os substituiu em 1974 e continuou até 1995, tendo completado a análise gramatical da língua.

Agora o casal [mencionado acima] está colhendo o fruto destas décadas de trabalho.  Desde o ano 2000, a maioria dos Nadeb recebeu a Jesus como seu Senhor.  Começaram a cultuá-lo em uma igreja redonda com teto de palha tradicional umas quatro ou cinco vezes por semana.

Os Nadeb tinham as Escrituras para ler, oraban, mas também queriam cantar.  Um pastor brasileiro havia visitado o grupo algumas vezes, e havia entoado cânticos em portugués.  Os homens presumiram que esta língua e estilo era a maneira legítima de louvar a Deus.  Alguns dos mais francos, inclusive o Eduardo, recusavam de usar seu estilo musical folclórico.  Pediram [aos missionários] que trouxessem fitas de música gravadas com estilo brasileiro ou de outro estilo que eles haviam ouvido em igrejas rio abaixo.  Quando as fitas não chegaram, os homens pediram algumas ao pastor.

[O casal] queria algo melhor para os Nadeb, e por isso [eles] animaram o povo a compor seus próprios cânticos.  Joaquim, o cacique duvidava que cantar a Jesus em sua própria língua e estilo seria algo aceitável.  Mesmo assim, ele e outros encontraram a coragem para tentar; mas só em ocasiões muito especiais.  Um jóvem, Tajoi, cantou uma vez e todos riram dele.  Isso pôs um ponto final no compor e cantar cânticos cristãos.

Na Páscoa da Ressurreição de 2000 Eduardo e alguns do homens de sua familia foram rio acima por duas semans para recolher videiras.  Eduardo se entristeceu por não poder pasar a Páscoa da Ressurreição com o resto dos crentes e orava para se consolar.  Quando estava dormindo uma noite, ele sonhou que estava cantando no estilo Nadeb.

Em seu sonho ele viu alguém, que não era nem homem nem mulher, vestido de branco.  Eduardo começou a cantar a esta pessoa: “Quero dar meu coração ao Todo-poderoso”.  A pessoa vestida de branco o respondeu cantando a Eduardo no mesmo estilo: “Eu sou o Todo-poderoso”.  O diálogo continuou – todo o sonho sobre um cântico – com Eduardo cantando à Pessoa vestida de branco e Este cantando a ele para responder.  Aquele o disso: “Diz ao teu povo que não riam dos seus canto.  Diz que não devem zombar disto”.  Tão vívido foi o sonho que quando Eduardo acordou ele lembrou das palabras e da música do cântico e as escreveu.  Quando voltou à aldeia, eles os ensinou o cântico a alguns dos homens.  Eles o cantaram no próximo culto, e ninguém riu.

Havendo recebido esta santa benção sobre seu próprio estilo de música, as pessoas começaram a compor cânticos com fervor.  Um órfão de dez anos compôs uma canção que se tornou uma das favoritas de todos.  Joaquim, cacique do povo e líder da igreja, compõe a maioria dos cânticos e os usa como uma ferramenta de ensino.  Antes ou depois do cântico ele explica porque o canto e como as palavras se aplicam às suas vidas.

Tradicionalmente somente os homens Nadeb cantavam, mas as mulheres que se tornaram crentes também começaram a cantar, e isso foi aceito.  Duas mulheres, Francisca e Socorro, também já comporam alguns cânticos.  Com a ajuda do [casal missionário], os Nadeb agora têm um hinário de 50 cânticos.

Tajoi, de quem o povo se riu pela primeira canção, agora é quem dirige o canto da igreja.  Enquanto ele canta frente à congregação, louvando a Deus em sua própria língua e em seu próprio estilo, todos o siguem com gozo.  [O casal] já não questiona mais quem ensinará os Nadeb a cantar.  Aquele vestido de branco os ensinou um novo cântico, um hino de louvor a Deus.
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Anotações:
Eduardo, que é agora um líder da igreja, não compôs outros cânticos além daquele que veio pelo seu sonho.

Quando a igreja estava orando na questão de escolha de líderes, Deus deu Dominguinho, que agora também lidera, um cântico em um sonho ou visão dizendo que era bom ter líderes, mas que Jesus é o líder principal.

Alguns cânticos são entoados por individuos em frente à congregação.  Isso é cultural, já que em suas danças folclóricas eles sempre têm um diretor de canto.
  
    
Capítulo 3
Uma Igreja Iniciada por Cânticos Noturnos (Quirguistão)
por Don McCurry

Tocaram à porte de noite. Duas jóvens quirguizas pediram para entrar.  Elas moravam à frente, nos ouviram cantar cantos em Quirguiz, e queriam escutar.

Cedo naquele dia, a nossa equipe havia se amontoado em dois pequenos e velhos veraneios Lada russos e feito a tortuosa viagem em estradas cheias de buracos, indo a uma pequena cideade de uns 500 habitantes sem nenhuma igreja.  Buscando os poucos crentes, achamos primeiro uma viúva.  Ela nos levou a um casal idoso, e por fim encontramos um outro. Quatro.  Isso foi tudo.  Quatro crentes idosos russos a quem ninguém ministrava.

Quando nos reunimos na casa do casal, um quirguiz talentoso da nossa equipe nos dirigiu em adoração, juntamente com nosso conjunto musical que incluía outros três jóvens quirguizes e uma jóvem russa.  Cantamos tanto em russo come m quirguiz.

Depois de ter terminado de cantar, ensinar a palabra e de orar, o casal de idosos nos preparou uma refeição.  Justamente quando estavamos começando a comer é quando alguém tocou à porta, e convidamos estas jóvens encantadoras para que se agregassem a nós.
Quando terminamos de comer, o jóvem quirguiz que dirigía começou a cantar com a sua equipe, alí mesmo à mesa.  Nossas convidadas receberam alegremente os novos hinários que colocamos em suas mãos.  Começaram a ler e a seguir as palavras com os lábios; palavras do amor divino de Deus por elas.  Elas ficaram completamente cativadas pela música que cantamos nas altas horas da noite.

Finalmente, chegou a hora de partirmos.  As mulheres foram primeiro.  Depois fizemos uma oração final com os russos idosos e entramos nos carros para iniciar o longo percurso de retorno naquela noite escura e chuvosa. Mas antes que pudessemos partir, a mãe das duas jóvens quirguizas saiu à rua e nos deteu.  “Na próxima semana vocês têm que vir e cantar na nossa casa e comer conosco,” ela disse.

Naquela noite, na rua entre aquelas duas casas, uma russa e outra quirguiz, nasceu uma nova igreja.  Ouvindo nossos cânticos noturnos, os vizinhos quirguizos se sentiram atraídos pela música que se cantava em estilo familiar, e com palavras em sua língua materna.  Não puderam resistir a mensagem do amor de Deus por eles.

A música, ungida por Deus, outra vez exibiu seu poder para atrair pessoas a Cristo; pessoas de outra religião que provavelmente não poderiam ser alcançadas de outra forma.  Cristo tocou à porta dos seus corações, e eles alegremente o convidaram a entrar.
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Este curto relato é extraído de “Tales That Teach” (“Contos que Ensinam”), uma série de narrações ou lições recolhidas durante toda uma vida de ministerio em muitas partes do mundo.  Este projeto, que iniciou no ano 2000, é uma obra em progresso.  Cópias impressas estarão disponíveis em um futuro próximo, podendo ser pedidas por e-mail diretamente da autora: [email protected]